A neurociência revela que a prática da gratidão pode fortalecer as conexões neurais no córtex pré-frontal medial, uma área-chave para o processamento de emoções e tomada de decisões. Isso acontece porque a gratidão ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, que estão diretamente ligados ao bem-estar e à felicidade.
Além disso, a gratidão modula a atividade da amígdala, a região cerebral responsável por processar o medo e o estresse, ajudando a diminuir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Essa prática constante, portanto, pode induzir mudanças estruturais no cérebro, um fenômeno conhecido como neuroplasticidade, promovendo maior resiliência emocional e melhorando a capacidade de lidar com desafios.
Referências
* Forbes Brasil (2024). “Por que praticar a gratidão é indispensável, segundo a neurociência”.
* Portal Dokimasia (2025). “Os surpreendentes efeitos da Gratidão no cérebro humano”.
A musculação, em particular, aumenta os níveis de miocinas, que são proteínas liberadas pelos músculos em contração. Algumas miocinas, como a cathepsin B, podem atravessar a barreira hematoencefálica e aumentar os níveis de BDNF no cérebro, contribuindo para a neurogênese e a cognição. Isso sugere uma comunicação bidirecional entre os músculos e o cérebro, onde o músculo atua como um órgão endócrino que secreta substâncias benéficas para o SNC.
Redução do Estresse e Melhora do Humor
O exercício físico é um potente regulador do sistema de estresse. Ele modula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que é o principal sistema de resposta ao estresse do corpo. A prática regular de exercícios reduz a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol, e aumenta a sensibilidade dos receptores de serotonina e dopamina, neurotransmissores associados ao humor e ao prazer. Isso explica por que a atividade física é eficaz na prevenção e no tratamento de transtornos como a depressão e a ansiedade. O aumento da produção de endorfinas também contribui para a sensação de bem-estar e euforia pós-exercício.
A prática de atividade física e a construção muscular são consideradas “remédios” para o sistema nervoso central (SNC) devido a seus efeitos benéficos comprovados pela neurociência. O exercício regular promove adaptações no cérebro que melhoram a saúde mental, a cognição e a resiliência neurológica.
Neuroplasticidade e Fatores Neurotróficos
A atividade física estimula a neurogênese, que é a formação de novos neurônios, principalmente no hipocampo, uma área crítica para a memória e o aprendizado. Esse processo é mediado por substâncias como o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). O BDNF é essencial para o crescimento, a diferenciação e a sobrevivência dos neurônios, agindo como um “fertilizante” cerebral. Ele melhora a plasticidade sináptica, que é a capacidade das sinapses de se fortalecerem ou enfraquecerem ao longo do tempo, e aumenta a conectividade entre diferentes áreas do cérebro.
Aprimoramento da Função Cognitiva
A atividade física melhora diversas funções cognitivas, incluindo a memória de trabalho, a atenção e as funções executivas (como planejamento e tomada de decisão). Isso ocorre, em parte, pelo aumento do fluxo sanguíneo cerebral, que fornece mais oxigênio e glicose aos neurônios. Além disso, a atividade física estimula a formação de novos vasos sanguíneos no cérebro (angiogênese), garantindo uma nutrição adequada e eficiente para as células cerebrais.
Prevenção de Doenças Neurodegenerativas
A prática regular de exercício físico, incluindo a construção muscular, é considerada uma estratégia eficaz para reduzir o risco de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson. Os mecanismos incluem a redução da inflamação sistêmica, que é um fator de risco para a neuroinflamação, e a proteção contra o estresse oxidativo, que causa danos celulares.
O aumento do BDNF e a melhoria da conectividade cerebral também contribuem para a resiliência do cérebro ao envelhecimento e a patologias. A manutenção da massa muscular (e a prevenção da sarcopenia) está ligada a um menor risco de declínio cognitivo, indicando que a saúde muscular é um reflexo da saúde neurológica.
Em suma, a neurociência confirma que a atividade física e a construção muscular não são apenas formas de manter o corpo em forma, mas sim poderosas intervenções terapêuticas que promovem a saúde do sistema nervoso central. Elas agem em múltiplos níveis—molecular, celular e sistêmico—para fortalecer o cérebro, melhorar o humor, a cognição e proteger contra o envelhecimento e doenças, justificando plenamente sua designação como um “remédio” para a mente.
Os Benefícios Neurobiológicos de um Relacionamento Saudável
Um relacionamento amoroso saudável é um poderoso catalisador de bem-estar cerebral. A neurociência comportamental nos mostra que a interação positiva e o apoio mútuo entre parceiros ativam intensamente o sistema de recompensa do cérebro. Essa área, que inclui o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal, é responsável pela sensação de prazer e motivação. A presença de um parceiro de confiança estimula a liberação de uma série de neurotransmissores e hormônios, como a dopamina (ligada à busca por prazer), a serotonina (que regula o humor) e a ocitocina (o chamado “hormônio do amor e do vínculo”). A ocitocina, em particular, é crucial, pois promove o apego, a empatia e a confiança, criando uma sensação de segurança emocional que reduz os níveis de estresse e ansiedade.
Além disso, a interação social e emocional em um relacionamento saudável pode ter um impacto duradouro na estrutura cerebral. Pesquisas mostram que laços afetivos fortes podem melhorar a função cognitiva, aumentar a resiliência a desafios e até mesmo influenciar positivamente a saúde física, como a saúde cardiovascular. A sensação de pertencimento e a validação emocional fornecida por um parceiro servem como uma espécie de “amortecedor” biológico contra o estresse, ajudando a regular o cortisol (o hormônio do estresse) e promovendo um estado de homeostase e equilíbrio no organismo.
Os Malefícios Neurobiológicos de um Relacionamento Tóxico
Em contraste, um relacionamento tóxico desregula completamente o sistema nervoso, ativando uma resposta de ameaça constante no cérebro. A imprevisibilidade, o conflito e o abuso emocional (seja ele físico ou psicológico) mantêm o cérebro em um estado de alerta crônico, conhecido como resposta de “luta ou fuga”. Isso é mediado pela ativação da amígdala, a região do cérebro ligada à detecção de ameaças e ao medo.
A exposição prolongada a esse ambiente estressante resulta na produção elevada e constante de cortisol. Níveis cronicamente altos de cortisol podem causar danos significativos ao cérebro, especialmente no hipocampo, uma área vital para a memória e o aprendizado. A redução do volume do hipocampo é frequentemente observada em indivíduos com estresse pós-traumático (TEPT) e depressão, condições que são comumente associadas a relacionamentos abusivos.
Além disso, a manipulação emocional e a falta de validação em um relacionamento tóxico minam a autoestima e a autoconfiança, impactando o córtex pré-frontal, a área responsável pelo autojulgamento e pela tomada de decisões. O ciclo vicioso de desvalorização e reforço intermitente (onde momentos de carinho se alternam com episódios de abuso) cria uma dependência patológica, pois o cérebro da vítima busca incessantemente a recompensa (dopamina) nos momentos raros de afeto, perpetuando o ciclo de sofrimento e dificultando o rompimento.
Referências
* Cacioppo, Stephanie. (2018). Programados para amar: a jornada de uma neurocientista pelo amor, pelo luto e pela essência das conexões humanas. Editora Rocco.
* Fisher, Helen E. (2005). Why We Love: The Nature and Chemistry of Romantic Love. Henry Holt and Company.
* Gomes, Fernando. (2017). A Neurociência do Amor. Editora Academia.
* Langeslag, S. J. E., & van Strien, J. W. (2016). “Regulation of Romantic Love Feelings: Preconceptions, Strategies, and Feasibility.” PLoS ONE, 11(8), e0161087. DOI: 10.1371/journal.pone.0161087.
* Young, L. J., & Alexander, B. (2012). The Chemistry Between Us: Love, Sex, and the Science of Attraction. Penguin Press.